Rastro de informação: ajude os internautas a acharem o que procuram
É noite e você vaga com fome por uma floresta, mata fechada. O suor escorre pelo rosto, mosquitos grudam no seu cabelo e entram pelo seu nariz. A fome aperta, você sabe que há comida por perto, mas é difícil enxergar, tudo parece igual, verde, folhas, mato…
A Internet é esta mata. E os Internautas são estes esfomeadas a procura de saciar a fome com informação.
Esta metáfora é a base da teoria de information foraging algo como “caça ou coleta de informação”. O conceito – desenvolvido pelo Centro de Pesquisa de Palo Alto por Stuart Card, Peter Pirolli e equipe – faz uma analogia entre o comportamento animal de busca por comida e a maneira nós coletamos informação na Internet.
Pare e pense no seu comportamento online. Você provavelmente liga seu computador já com alguma “fome” de informação a ser saciada. E falo de informação no sentido amplo, seja na busca de um produto ou de dados puros.
O próximo passo é saírmos “farejando” por aí, geralmente pelo Google e páginas às quais estamos mais acostumados. Afinal, é sempre melhor caçar em território conhecido.
E aí começarmos a coletar e armazenar. Coletamos com fome, sede e as vezes sono. Ou seja, não queremos perder tempo nem ser atrapalhados. Somos “info-predadores”, com o perdão do neologismo.
Cheiro de informação
Uma das conseqüências deste conceito foi nascer o termo “information scent” ou “cheiro ou odor de informação”.
O tio Jakob Nielsen, macaco velho de usabilidade na Internet, descreve o termo mais ou menos assim:
“‘Cheiro de informação’ são as pistas e rastros que nosso olfato de info-predadores segue quando estamos em plena caça por informação. Ou seja, são as palavras e conteúdos-chave que nos levam a avançar em nossa busca.
Em termos práticos
Ao analisar o conteúdo que produzimos sob esta ótica, começamos a ver que as vezes impomos muitos obstáculos a esta caça. Especialmente quando não nos expressamos claramente, quando não ventilamos por aí os odores do banquete de informações que temos a oferecer.
Lembremos, portanto, do óbvio. Ao escrever para Internet, respeite o que sempre aprenderam os jornalistas. Vá direto ao assunto (use a pirâmide invertida), seja conciso, claro e objetivo.
Mas acima de tudo, distribua e pense bem em como serão os rastros e odores que você deixará por sua página. Ou seja, distribuia e escolha com carinho as “palavras chave” que irão compor sua navegação.
Recentemente entrei na página da Fnac para comprar um livro do Calvin e Haroldo. Ignorei a busca e tentei achar a publicação no menu lateral.
Dei uma primeira “cheirada” e cliquei no link óbvio: livros.
Farejei de novo, queria sentir odor de “quadrinhos”, nada mais fácil, não?
Pois não achei nada, a lista que se apresentou era a seguinte:
Nada me levava ao meu objetivo e não havia pistas de como achá-lo. Finalmente, acabei me rendendo à boa e velha busca que, diga-se de passagem, funcionou muito bem.
Descobri que quadrinhos fica abaixo de “ficção”, com o seguinte menu:
- Ficção Diversos
- Literatura brasileira
- Literatura estrangeira
- Poesia
- Critica literaria
- Teatro
- Humor
- Quadrinhos
Pera aí, “Poesia”, não é “Literatura brasileira”, “Literatura estrangeira”?
O que é “Humor”? Não podemos encaixar “Quadrinhos” abaixo d e humor?
Vale destacar ainda a pérola “Ficção Diversos”, ou seja, categoria para qualquer coisa e “Critica Literaria”, sem acentos…
Todos termos sem nenhum odor para abrir o apetite.
Sintomas de falta de cheiro de informação
A falta de cheiro num rastro, traz as seguintes conseqüências para o info-predador:
- Os internautas não conseguem achar a informação necessárias e caso sua busca não seja muito boa e fácil de usar, já era, ele vai caçar em outros prados (um desastre para e-commerce);
- A perda de tempo traz uma atitude negativa em relação ao site. Sua experiência caçando por ali foi ruim, nada de sentir um cheiro de bife acebolado. Ou seja, não volto mais;
- Seus leitores não passam da página inicial a qual chegaram, especialmente se forem páginas gerais, como a homepage ou capas de seção.
- Para ler mais sobre o assunto
Junte a fome com a vontade de comer
Não complique, ofereça a seus valiosos visitantes o que há de mais suculento na dispensa. Busque aquela picanha marinada e mate a fome.
Aqui vão algumas dicas:
- Faça testes de usabilidade! Mesmo que seja pegar sua vozinha como cobaia. Dê à sua vítima uma tarefa padrão do site e veja como ela se vira no meio do “mato”;
- Aprenda com quem lidera na área. Visite, por exemplo, o site da Amazon.com ou até da Americanas.com.br (que vem melhorando muito em usabilidade) e veja como funciona a navegação deles nas diferentes camadas;
- Fique de olho nas estatísticas de sua página. Dessa forma você pode identificar páginas ou seções na quais as pessoas saem com mais freqüência e outros números podem subsidiar a decisão de mudar ou não uma palavra;
- Não reflita a estrutura interna de sua empresa/organização, especialmente termos técnicos ou jargões do local de trabalho, na navegação de sua página!!
- Como alternativa, tenha uma boa busca e tenha certeza de que ela funciona bem;
- Cuidado com o exagero, lembre-se que é impossível agradar a todo mundo e o excesso de informação é tão prejudicial quanto a falta;
Bom apetite!







